El surgimiento de la confianza como concepto técnico y legal
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Editor
Universidad de Montevideo
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This paper traces the historical transformation of trust from a social and moral virtue into a technical and legal construct. Drawing on historical epistemology, it reconstructs how computer science in the late twentieth century redefined trust as a property of systems, protocols, and credentials —and how this technical meaning later migrated into law through the concept of trust services. While no canonical definition of trust exists —neither across the social sciences nor within any of them— it is possible to identify recurring traits of what may be called the traditional concept of trust. Adapting from Luhmann, the paper defines trust as a subjective belief in the good future performance of someone or something upon which valuable resources or enterprises depend. It then shows how technical and legal redefinitions of the term displaced this relational and experiential meaning with notions of formal verification and institutional compliance. The argument proceeds in three movements: (1) Trust as a traditional concept, understood as a relational and emotive category; (2) Trust as a technical concept, understood as designed reliability and automated verification; and (3) Technological trust as a legal concept, in which states reimport the term to confer legitimacy upon infrastructures and accredited intermediaries. The discussion interprets this evolution as a case of semantic inversion: law now commands citizens to trust entities that were, in technical origin, conceived precisely to eliminate the need for trust. Following Stevenson, the emotive charge of the word endures across this migration, generating a political illusion where moral confidence fuses with mathematical certainty. Naming, as Hacking reminds us, is never neutral: when categories travel, they create new realities of belief and obligation.
Este artículo rastrea la transformación histórica de la confianza desde una virtud social y moral a una construcción técnica y legal. Basándose en la epistemología histórica, reconstruye cómo la ciencia informática a finales del siglo XX redefinió la confianza como una propiedad de sistemas, protocolos y credenciales, y cómo este significado técnico posteriormente migró al derecho a través del concepto de servicios de confianza. Si bien no existe una definición canónica de confianza, ni en las ciencias sociales ni dentro de ninguna de ellas, es posible identificar rasgos recurrentes de lo que podría llamarse el concepto tradicional de confianza. Adaptando de Luhmann, el artículo define la confianza como una creencia subjetiva en el buen desempeño futuro de alguien o algo de lo que dependen recursos o empresas valiosas. Luego muestra cómo las redefiniciones técnicas y legales del término desplazaron este significado relacional y experiencial con nociones de verificación formal y cumplimiento institucional. El argumento procede en tres movimientos: (1) La confianza como un concepto tradicional, entendido como una categoría relacional y emotiva; (2) La confianza como un concepto técnico, entendido como confiabilidad diseñada y verificación automatizada; y (3) La confianza tecnológica como concepto legal, en la que los Estados reimportan el término para conferir legitimidad a infraestructuras e intermediarios acreditados. El análisis interpreta esta evolución como un caso de inversión semántica: la ley ahora exige a los ciudadanos confiar en entidades que, en su origen técnico, fueron concebidas precisamente para eliminar la necesidad de confianza. Siguiendo a Stevenson, la carga emotiva de la palabra perdura a lo largo de esta migración, generando una ilusión política donde la confianza moral se fusiona con la certeza matemática. El nombramiento, como nos recuerda Hacking, nunca es neutral: cuando las categorías viajan, crean nuevas realidades de creencia y obligación.
Este artigo traça a transformação histórica da confiança, de uma virtude social e moral para uma construção técnica e jurídica. Baseando-se na epistemologia histórica, reconstrói-se como a ciência da computação, no final do século XX, redefiniu a confiança como uma propriedade de sistemas, protocolos e credenciais —e como esse significado técnico posteriormente migrou para o direito por meio do conceito de serviços de confiança. Embora não exista uma definição canônica de confiança —nem nas ciências sociais nem em nenhuma delas—, é possível identificar traços recorrentes do que pode ser chamado de conceito tradicional de confiança. Adaptando Luhmann, o artigo define confiança como uma crença subjetiva no bom desempenho futuro de alguém ou algo, do qual dependem recursos ou empreendimentos valiosos. Em seguida, demonstra-se como as redefinições técnicas e jurídicas do termo substituíram esse significado relacional e experiencial por noções de verificação formal e conformidade institucional. O argumento prossegue em três movimentos: (1) Confiança como um conceito tradicional, entendida como uma categoria relacional e emotiva; (2) Confiança como um conceito técnico, entendida como confiabilidade projetada e verificação automatizada; e (3) Confiança tecnológica como um conceito jurídico, no qual os Estados reimportam o termo para conferir legitimidade a infraestruturas e intermediários credenciados. A discussão interpreta essa evolução como um caso de inversão semântica: a lei agora ordena aos cidadãos que confiem em entidades que foram, em sua origem técnica, concebidas precisamente para eliminar a necessidade de confiança. Seguindo Stevenson, a carga emotiva da palavra perdura durante essa migração, gerando uma ilusão política em que a confiança moral se funde com a certeza matemática. A nomenclatura, como Hacking nos lembra, nunca é neutra: quando as categorias viajam, elas criam novas realidades de crença e obrigação.






